Sem você (Tere Bin) | Without you (Tere Bin)

Video, cor, som | Video, colour, sound
3’19”
2015

A voz de um vendedor de frutas na feira em Peckham, em Londres, chega a nós por meio do vídeo. Sua performance é assistida pelos poucos passantes, que ali estão por acaso e não por sua intenção de parar e ouvir. O título do vídeo é uma tradução de “Tere bin”, frase repetida ao longo da canção. Sua letra, cantada por um homem a sua mulher amada, falam de como a vida é difícil sem ela, como o dia não passa.
A visão do observador é interrompida por um círculo preto que paira sobre o rosto do cantor, impedindo que suas feições se tornem visíveis.
“Sem você” é uma investigação da capacidade de permanência e impacto da experiência estética diante dos anteparos políticos do espaço social. Ao mesmo tempo, o vídeo desafia noções simplistas de sentimentalidade que ofuscam conflitos e diferenças materiais sob uma camada de afetos aparentemente compartilhados. Ao mesmo tempo em que o canto é tocante e emocionante, a interrupção visual do círculo serve para nos lembrar que a câmera, ela também uma espécie de anteparo, contribui para a sensação ilusória de que é possível ressignificar um evento singular como uma verdade universal.

———

The voice of a fruit seller in Peckham reaches us through the medium of video. His performance is witnessed by a few passers-by, who are there only by chance. The video’s title is a translation of “tere bin”, a phrase which is repeated throughout the song. The lyrics, sung by a man to his beloved woman, speak of how difficult life is without her, how time doesn’t pass by.
The gaze of the viewer is interrupted by a black circle hovering on top of the image, which forecloses the possibility of seeing the singer’s complete features.
“Without you” is an investigation of the resilience of aesthetic experience in the face of political obstacles to empathy. At the same time, it poses a challenge to simplistic notions of sentimentality that subdue material conflicts and differences under a veneer of ostensibly shared feeling. To use Paulo Freire’s terms, it highlights the often-ignored gap between sentimental love – that doesn’t break the structures of oppression but rather reinforce them – and the forms of solidarity and direct action with concrete potential to change existing power structures. While the delivery of the song is heartfelt and touching, the visual interruption of the circle resonates with the condition of the camera as a mediator of the encounter; as that which underpins the belief that a singular event can be turned into a universal signifier.

Advertisements